A população nativa de Xanxerê, como aliás de toda a região oeste de Santa Catarina, era composta de índios Kaingang, sabendo-se que alguns grupos de guaranis também viveram, mas de maneira intermitente, em alguns recantos da área.
Essa população nativa foi praticamente dizimada como conseqüência do processo gradativo de ocupação em colonização das terras por parte dos imigrantes europeus e seus descendentes. Da população indígena sobra atualmente o reduzido número de cerca de 1.200 indivíduos que vivem confinados nos municípios de Ipuaçu e Entre Rios, sob custódia da FUNAI.
Pode se considerar que o processo de ocupação e colonização das terras percorreu duas diferentes etapas históricas, e impulsionadas por duas frentes igualmente diferentes. No primeiro momento, ou etapa histórica, que vai desde a época em que a região era conhecida como, "as terras situadas entre o Rio Iguaçu e o Rio Uruguai", o processo de colonização se caracteriza como início de exploração e ocupação, mais ou menos aventureiros **** comandada pela necessidade de estabelecer as fronteiras nacionais, providenciais e, finalmente, estaduais da região sul limítrofe com a Argentina. Comanda esse primeiro momento da ocupação oeste catarinense representantes de expedições bandeirantes, vendas de São Paulo através do Paraná, mais precisamente de fazendeiros oriundos de Guarapuava, Palmeiras, Palmas, muitos dos quais apenas interessadas em que atingiram o Rio Grande do Sul, em suas "viagens de tropas".
Segundo momento desse processo tem início com o fim da Guerra do Contestado, em e com a solução do litígio entre os estados do Paraná e Santa Catarina. Ele se processa em conseqüência de expansão da área colonial procedente do de Rio Grande do Sul. Integram essa frente descendentes de imigrantes europeus, principalmente os italianos e, em menor porcentagem, alemães e poloneses. Por intermédio de empresas particulares de colonização que passaram a desmembrar as enormes propriedades de antigos fazendeiros e seismeiros vindo do norte, os colonos gaúchos passaram a explorar intensivamente os recursos florestais e a cultivar decididamente o solo. Dessa forma, a principal atividade econômica de Xanxerê tem sido, durante muito tempo, a de extração de madeira erva-mate, a primeira vendida na Argentina, para onde era transportado em forma de "balsas" pelas cheias do Rio Uruguai, a segunda, como produto de consumo interno nos três estados do sul.
Posteriormente, a rica fertilidade do solo, associadas as boas condições topográficas, deu origem a que surgisse, paralelamente a atividade de extração de madeiras e erva-mate, a cultura do milho do feijão, juntamente com a criação de suínos, abrindo condições favoráveis ao surgimento da agro-industria que hoje desponta como principal força comandar o processo de desenvolvimento municipal e regional.